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  • Por Augusto de Queiroz Pedrazzi

Seca: Nenhum ano é igual ao outro

Na seca não há margem para erros. Ela não permite devaneios. Pode ser mais ou menos severa, mas vai determinar lucros, de acordo com a competência.

A agropecuária, produção de vegetais e proteína animal, depende muito do ambiente. Na última temporada, a exemplo de todo o planeta, sofremos as reações de algo que estamos engatinhando na compreensão: o Universo. Nosso planeta tem data para morrer, mas não é agora. Nossa civilização, também, mas podemos adiar a ponto de termos as tecnologias necessárias para continuar.


Neste momento, estamos vivendo frio intenso com geadas e até neve no Sul e Sudeste, provocando alterações importantes na savana brasileira do Centro-Oeste, Nordeste e Sul amazônico. Esta seca será histórica, independentemente de onde estejamos. Sempre falamos, em primeiro momento, de aproveitar certa época do ano para certos manejos.


Mas nem sempre dá para ser igual. É preciso visão! Observar, por exemplo, a umidade relativa do ar local.

Se agora é tarde para medidas, vamos nos planejar. Vamos nos antecipar em relação a cenários possíveis. Uma conta importante para ser feita e entender o sistema é aquele que mostra quanto tempo um piquete alimenta tantas cabeças (independente da categoria).

Essa análise diz respeito ao comportamento da gramínea (desgaste e vigor) frente ao desempenho animal, incluindo mantença e engorda. Parece fácil, mas não se pode perder o objetivo e nem o que é possível, em função das condições climáticas. Daí, parte o manejo consciente e dinâmico em suas ações.


Isso significa muitas vezes respeitar o ambiente e, consequentemente, o solo da propriedade. Por exemplo, aceitando as limitações e gerando oportunidades de trabalho como confinamento ou suplementações diversas em condições de pastejo. O capim depende da qualidade de manejo, do solo ao volume verde.


Essa interpretação dará os limites da operação. Se a lição de casa foi bem-feita nas águas e tudo apertou na seca, esvazie a fazenda. Faça dinheiro de outra forma. Se não o fizer, a conta fica mais alta depois. Vale reforçar que o pasto é tudo que se tem na pecuária de corte. Sua capacidade de alimentar é seu único aliado para conquistar sucesso.


Período seco

Contando com o que sobrou de oferta de capim, resta consumir, urinar e depositar esterco, sempre visando cobertura do solo e ciclagem de nutrientes. Mas a vida depende das contas são necessárias: vale a pena vender parte do gado para manter a saúde do pasto? Ninguém tem mais e melhores condições de responder do que o produtor e sua equipe. Só aconselho ouvir bastante.


Acompanhe as invasões por ervas-daninhas; olhe diariamente o dourado do pasto e as notícias sobre chuvas. Não perca, absolutamente, nenhuma oportunidade, não importa que horas ela chegue. Tenha técnicos capazes para oferecer respostas para este ou aquele herbicidade, para seu uso ou não.


O boi é herbívoro e não depende só de gramíneas. Ele precisa de celulose para gerar seu combustível. Ele quer proteína e energia para bem desempenhar. Se a época do ano dificulta, é hora do conhecimento se sobrepor e gerar renda, respostas. Aconselho que os produtores tenham sempre cartas na manga, suplementações em estoque. Afinal, um bovino que emagrece, é uma arroba que se perdeu no tempo.


Augusto de Queiroz Pedrazzi é engenheiro agrônomo, administrador rural e especialista em gestão de áreas degradadas, além de produção de bovinos eficientes de corte.

Artigo publicado na edição de setembro de 2021 da revistanelore. Leia a edição completa AQUI.