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  • Mara Ramos

Criadores comerciais mudam perfil das matrizes Nelore com Software BIA

É crescente o número de propriedades de cria e cruzamento, que apostam na ferramenta como forma de melhorar a qualidade do rebanho e a rentabilidade da fazenda.

Quando se fala na tecnologia de avaliação por ultrassonografia, muitos criadores acreditam tratar-se de algo inatingível, de custo elevado, ou que a adoção de um novo sistema não irá agregar valor ao rebanho.


Porém, é crescente o número de propriedades de cria e cruzamento de vacas Nelore com Angus, Braford ou outras raças europeias, que apostam na ferramenta como forma de melhorar a qualidade do rebanho, agregar valor ao produto, aumentar a eficiência e a rentabilidade da fazenda.


É o caso de Fabio Padovani, da Agropecuária Bio Canto, de Cascavel (PR), que encontrou na Ultrassonografia de Carcaça, a opção para entrar definitivamente no mercado de carnes premium. Hoje, seu rebanho ½ sangue Nelore X Angus, atende ao Programa Carne Angus Certificada e uma linha de carnes premium da Cooperativa Padrão Beef, no oeste paranaense.

O alto padrão de qualidade de carcaça é a prova do resultado do trabalho, segundo Fabio Padovani.
“Desde que iniciamos o trabalho de avaliação com a DGT, o padrão dos animais que entregamos deu um grande salto de qualidade. Em 2021 utilizamos o protocolo em 150 fêmeas e esse ano o número saltou para 250. O que começou como uma experiência, hoje é o foco principal do trabalho”, contou.

Seu sistema de criação envolve a compra de bezerros de geração F1, ½ sangue Nelore X Angus, onde as novilhas de doze meses e 300 quilos são avaliadas por US e classificadas em quatro categorias: as mais equilibradas para AOL, EGS e MAR; as que indicam correção e AOL; as que indicam correção de EGS; e as que não se enquadram nas características desejadas.


“As três primeiras entram no nosso protocolo reprodutivo, emprenhando aos 14 meses e parindo aos 22 meses, em média. As correções são feitas na seleção de touros, mais indicados para os índices que queremos consertar na geração futura. Fazemos a desmama precoce dos animais entre 5 e 6 meses, acima de 200 kg e a mãe vai para o protocolo de carne Angus Certificada”, contou.


Os resultados são surpreendentes, com alto índice de prenhes e uma padronização nunca vista no rebanho. Inclusive, para os animais comercializados na Cooperativa, o criador já recebe bonificação pela qualidade do produto.


Érika Maria Bannwart produz bezerros ½ sangue Nelore x Angus, na Fazenda do Engenho em Pirajuí (SP). No último dia 13 de maio, a criadora recebeu a equipe DGT para a primeira avaliação por ultrassonografia, em 250 matrizes.


“Os resultados me surpreenderam, a média das vacas com marmoreio é de 3,5% e já vamos fazer alguns acasalamentos corretivos com touros Golias”.

Atualmente seu sistema de seleção é focado em fertilidade, onde as matrizes passam por dois protocolos de IATF e um repasse de touros, com descarte das que não emprenham. “A partir de agora eu vou manter meu sistema de seleção, porém, consigo fazer uma escolha melhor de touros, pois sabemos se a vaca precisa corrigir AOL, EGS ou MAR. Isso é uma grande evolução”, relatou.


Para Erika, o mais importante é que agora pode ter uma padronização dos bezerros e oferecer ao mercado o perfil de animais ideal para a demanda de qualidade. “A própria DGT vai me ajudar a escolher os touros, o que é muito favorável, pois antes essa escolha era no escuro, agora está claro o que precisa ser feito”, explicou.

Equipe da Fazenda do Engenho na primeira avaliação por US.

Ainda que o retorno do investimento não seja imediato, a criadora não tem dúvida sobre a viabilidade do uso da ferramenta. “É super viável, primeiro porque agora eu conheço meu rebanho e consigo fazer uma seleção para fertilidade. Numa segunda fase vem o melhoramento genético do rebanho, usando as melhores fêmeas para produzir a reposição.


E mais a longo prazo eu imagino que haverá uma bonificação para a padronização e a qualidade da carne. Essa possibilidade também é uma motivação, ainda que demore mais a acontecer”, disse.


Fábio Vicente faz ciclo completo, cria nelore e ½ sangue Angus e comercializa na boutique de carnes da família, a Carne de Qualidade Irmãos Vicente, em Amaporã (PR). O trabalho com a DGT começou há cerca de três anos, focado na avaliação das matrizes e no pré-abate dos animais em confinamento, objetivando a produção de carne de qualidade.


“O primeiro passo para produzir qualidade é a genética. Com um mercado muito focado no sêmen, o criador muitas vezes esquece a importância da matriz, que representa 50% da herança genética para AOL, EGS e MAR. Assim, avaliamos todas as matrizes e dividimos nas quatro categorias estabelecidas pela DGT. As vacas cabeceira ficam responsáveis pela reposição de matrizes e as restantes vão para o programa de acasalamento corretivo. Hoje nossa escolha de touros está totalmente focada nesse acasalamento e já estamos enxergando os frutos de uma melhora imensa em nosso rebanho”, relatou Vicente.


Como mantém um sistema de produção que contempla toda a cadeia, a fazenda mantém um controle muito rigoroso em todo o processo. “Da escolha do sêmen para os acasalamentos, passando pelo nascimento, desmama, cria, recria, engorda, abate e venda em Boutique de Carne, temos um grande desafio e a Ultrassonografia de Carcaça traz uma mensuração muito precisa do trabalho. Eu queria ter conhecido antes a tecnologia, pois desde que entendi o processo, adotei nas 2 mil matrizes Nelore, o que trouxe muito mais eficiência na produção e, principalmente, no resultado da carne que comercializamos”, disse.


Democratização da genética


Liliane Suguisawa, diretora da DGT Brasil, relata que a tecnologia da US Software BIA no gado comercial é como acender uma lanterna numa estrada escura.


“Quando você conhece e padroniza as matrizes comerciais em classes, por aptidão genética, você sabe o que tem nas mãos. A partir daí um novo mundo se abre, pois é possível ter uniformidade nos bezerros à desmama, com acasalamentos corretivos em escala, com melhoria dos resultados econômicos de todo o ciclo, ou seja, você sabe o que tem e onde pode chegar”, avaliou.

Para Liliane, projetos como dos Irmãos Vicente, Érika Bannwart e Fábio Padovani representam a verdadeira democratização da genética de qualidade no Brasil. “Em apenas uma geração de produtos comerciais, é possível multiplicar as melhores matrizes e padronizar os animais com características de AOL, EGS e MAR”, afirmou.


Se considerar o curto tempo em que o criador terá um incremento no ganho de peso global, na taxa de prenhez e no aumento da lucratividade, a ferramenta representa um salto de qualidade para toda a pecuária brasileira.


“No dia que os criadores comerciais descobrirem o quanto essa ferramenta pode mudar o padrão da sua criação, faremos uma grande revolução na pecuária brasileira”, enfatizou.

Para atender criadores de todo o Brasil e América Latina, a DGT Brasil conta com sete empresas credenciadas, a Pecus, Selection Beef, Proimagem Melhoramento, Beef Scan, Prime Bov, Ultrapec e Breed. Entre os mais de 500 clientes ativos, de 16 raças diferentes, é crescente o interesse dos criadores comerciais no melhoramento genético das matrizes, especialmente as matrizes Nelore que representam mais de 80% do rebanho nacional.


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Reportagem publicada na edição de junho de 2022 da revistanelore. Leia a edição completa AQUI.


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